Morre o ex-governador do Maranhão Jackson Lago
Ex-governador do MA internado com inflamação do músculo cardíaco após quimioterapia; adversários lamentam morte e decretam luto
Wilson Lima, iG no Maranhão | 04/04/2011 20:01
Foto: AE
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O ex-governador Jackson Lago (PDT-MA), morto nesta segunda-feira, em SP
O ex-governador do Maranhão, Jackson Kepler Lago (PDT), morreu nesta
segunda-feira, por volta das 18h30, no Hospital do Coração, em São
Paulo (SP), por falência múltima de órgãos.
Dia 30 último, Lago havia sido internado para tratamento clínico de miocardite (
inflamação do músculo cardíaco) após quimioterapia, mas não resistiu. Lago deixa a mulher e três filhos.
Em virtude da morte do ex-governador, o prefeito de São Luís, João
Castelo (PSDB); a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o
presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Arnaldo Melo, decretaram
luto oficial de três dias (PMDB).
Apesar da disponibilização tanto da sede do governo do Maranhão - o
Palácio dos Leões - quanto da Assembléia Legislativa, Lago será velado
na sede do PDT, no centro de São Luís. Esse foi um dos últimos pedidos
do ex-governador aos seus familiares.
Natural de Pedreiras, cidade do interior do Maranhão onde também
nasceu o poeta João do Vale, Lago era considerado o principal nome da
oposição ao grupo Sarney no Maranhão. Médico de formação, Lago começou
sua carreira política ainda na década de 1960, mas seu primeiro cargo
executivo foi o de prefeito de São Luís, em 1989. Sua posição
anti-Sarney ainda lhe valeu mais dois mandatos como prefeito da capital
maranhense: entre 1997 e 2000 e entre 2001 e 2002. Também foi graças a
Lago que Conceição Andrade, então no PDT, foi eleita em 1992 como
sucessora do pedetista.
Lago disputou o governo do Estado três vezes em 2002, 2006 e 2010. Em
2006, graças a uma coalizão de forças da oposição, conseguiu derrotar a
atual governadora do Estado, Roseana Sarney (PMDB), na primeira vez que
um Sarney foi derrotado nas urnas por um nome da oposição em 40 anos.
Apesar de ter conquistado o governo do Estado, Lago foi cassado em abril
de 2009 acusado de ter sido beneficiado de crime eleitoral praticado
por um dos seus parceiros na união de forças que o levou ao poder em
2007: José Reinaldo Tavares (PSB).
Foto: Wilson Lima
O ex-governador, durante entrevista ao iG
Apesar de ser considerado um político ligado às classes sociais, seus
três anos de mandato foram marcados por vários protestos de servidores
públicos. Logo nos primeiros meses de governo, os professores pararam
durante quase 90 dias. Os policiais civis também realizaram cinco greves
em menos de um ano de governo. Lago também enfrentou greves dos
técnicos administrativos e de agentes penitenciários. O mandato do
pedetista também foi marcado por várias denúncias de corrupção em
algumas secretarias.
Do outro lado, Lago implementou um grande projeto de investimentos no
setor de educação e de reforma de estradas como a MA-106, de acesso à
cidade de Pinheiro, município natal do seu maior inimigo político: o
presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Em seus três anos de governo,
Lago também instalou um hospital de emergência na região central do
Estado, em Presidente Dutra, apesar de ter prometido em campanha que
construiria quatro hospitais similares.
Nas eleições de 2010, Lago teve um desempenho fraco e ficou apenas na
terceira colocação na disputa, perdendo espaço para Flávio Dino (PC do
B), então em sua primeira eleição ao governo do Estado. Na ocasião, Lago
afirmou que foi prejudicado pela incerteza de sua candidatura. Como
fora cassado em 2009, o Ministério Público Eleitoral enquadrou Lago na
lei da “Ficha Limpa”, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a
sua candidatura ao governo do Estado três dias antes da eleição.
Conhecido por correligionários como “Doutor Jackson”, Lago marcou sua
trajetória não somente pela oposição ao grupo Sarney como também pelas
frase polêmicas e de impacto.
Quando foi cassado em abril de 2009, por exemplo, Lago atribuiu a
decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à forças ligadas ao grupo
Sarney no Estado. No ano passado, quando o TSE liberou a sua
candidatura, Lago afirmou à reportagem do
iG que o
tribunal sempre o “desrespeitou”. “Quem é que tem dúvida que no último
meio século a família Sarney esteja vinculada e influencie instituições
federais, quer sejam civis ou militares? De direita ou de esquerda. Eu
não tenho a menor dúvida disso, de que houve influência, sim, no meu
caso”, declarou na ocasião.
Repercussão
Apesar das desavenças, José Sarney divulgou nota nesta segunda-feira
dizendo que estava comovido com a morte de Jackson Lago e disse que esse
foi um momento de grande perda da classe política do Maranhão.
Foto: Wilson Lima
O ex-governador, durante entrevista
“A morte é um fenômeno transcendental que encerra todas as vicissitudes
da vida. É com grande comoção que lamento o falecimento do governador
Jackson Lago, figura expressiva que dominou a política maranhense
durante quase meio século”, declarou Sarney.
Ele ainda complementou. “É com respeito que proclamo o seu caráter, a
coerência na defesa de suas idéias e o idealismo com que exerceu os
vários cargos que ocupou na vida pública. Ele deixa o exemplo de
cidadão, de chefe de família, de homem público e o Maranhão tem a
gratidão dos serviços que prestou à nossa terra”, disse.
A sua filha, Roseana Sarney, também divulgou uma nota afirmando que
recebeu com “bastante pesar a notícia da morte do ex-governador”.
“Destacado político, Jackson Lago prestou relevantes serviços ao Estado.
Foi um homem de grande coerência quando lutou pelas suas ideias. Fomos
adversários nas últimas eleições, mas nunca inimigos e por ele sempre
tive um profundo respeito”, disse Roseana. “O Maranhão perdeu uma figura
expressiva do seu mundo político que nos deixará um vazio”,
complementou.
O presidente da Assembléia de São Luís, Arnaldo Melo, disse esse era
um momento de grande perda para o Maranhão. “O Dr. Jackson foi um
lutador pela saúde, um grande político, um grande homem público e um
cidadão de bem”. O líder da oposição na Assembléia Legislativa, o
deputado Marcelo Tavares (PSB), um dos parceiros de Lago quando ele foi
eleito em 2006, disse que Lago é um exemplo de homem público.
“Recebemos com muita tristeza essa notícia. Jackson Lago, que foi
injustiçado por uma decisão equivocada da Justiça, nos deixa. Mas fica o
exemplo do grande homem público que ele foi”, declarou o deputado.