As bolsas no mundo voltam a ter um dia tenso, após
alguns pregões de recuperação. As perdas nas principais praças mundiais
giram entre -4% e -6%. O Ibovespa, às 11h30, despencava 4,46%, cotado em
52.615 pontos.
Operadores nervosos no pregão de Nova York
Em Nova York, Dow Jones cai 3,79% e Nasdaq recua 4,40%. Na
Europa, Londres tem desvalorização de 4,7%, Paris -5,6%, Alemanha -6,2%,
Espanha -5,7% e Itália -6%.
São várias as explicações para a volta do nervosismo ao mercado nesta
quinta-feira. Números ruins do mercado de trabalho nos Estados Unidos,
relatório do Morgan Stanley falando em grandes chances de recessão nos
EUA e na Europa, além de notícias sobre aperto do cerco aos bancos dos
Estados Unidos pelos BCs daquele país. Além disso, ontem a Fitch
rebaixou a classificação de risco do estado de Nova Jersey (EUA). O
cardápio, somado à recuperação dos últimos dias, torna o mercado
propenso a fortes quedas. Vale lembrar que, ontem, o Ibovespa atingiu o
maior nível desde 3 de agosto, ou seja, havia recuperado toda a perda da
semana de pânico e subido um pouco mais.
Nos EUA, o mercado de trabalho e a inflação deram sinais de piora. O número de pedidos de auxílio-desemprego
subiu 9 mil, para 408 mil, na semana passada, superando bastante a
expectativa de alta de 5 mil pedidos, para 400 mil. Já o índice de
preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,5% em julho,
superando previsão de alta de 0,3%. O núcleo, no entanto, subiu 0,2%,
como esperado.
O Morgan Stanley informou que revisou suas previsões para o crescimento dos EUA e da zona do euro
e disse que os novos cálculos indicam que as duas regiões estão se
aproximando perigosamente de uma recessão. "As principais razões para a
redução nas projeções, além dos indicadores econômicos decepcionantes,
são recentes erros políticos nos EUA e na Europa somados à perspectiva
de mais aperto fiscal em 2012", diz.
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da
zona do euro foi cortada para 1,7% neste ano e 0,5% em 2012.
Anteriormente, as projeções do banco eram de expansão de 2,0% e 1,2%,
respectivamente.
Além disso, as autoridades reguladoras federais e estaduais nos
Estados Unidos estariam intensificando seu monitoramento das unidades
americanas de grandes bancos da Europa diante do temor de que a crise da
dívida europeia possa respingar no sistema bancário dos EUA. A
informação foi passada por pessoas a par da situação ao Wall Street
Journal.
O Fed Nova York, que supervisiona as operações americanas de muitos
bancos europeus, teria realizado recentemente várias reuniões com
credores para avaliar suas vulnerabilidades à escalada das pressões
financeiras. O Fed, segundo as fontes ouvidas pelo WSJ, está pedindo
mais informações dos bancos sobre o acesso aos recursos necessários para
as operações do dia a dia nos Estados Unidos.
As autoridades reguladoras buscam evitar uma repetição da crise de
2008, quando o sistema financeiro global começou a emperrar. Agora,
conforme a reportagem do WSJ, a preocupação é de que a crise da dívida
na zona do euro possa afetar a capacidade dos bancos europeus de
financiar empréstimos e de atender a outras obrigações financeiras nos
EUA.
O analistas da Lerosa investimentos afirmam que a impressão de que há
um “descompasso entre a velocidade da crise bancária européia e a
tentativa de solução por parte dos políticos europeus” está piorando o
humor dos investidores. Para eles, as revisões de crescimento nos
Estados Unidos e o aumento do controle das subsidiárias norte-americanas
na Europa por parte do FED indicam que a situação econômica mundial
volta a ter contornos de indefinição e aumenta o grau de aversão pelo
risco.
Com a busca dos investidores por segurança, o ouro está cotado em sua
máxima histórica e os retornos dos títulos norte-americanos estão em
baixa.
Para completar o quadro adverso, a Fitch Ratings rebaixou a classificação de risco dos bônus do Estado de Nova Jersey (EUA) de AA para AA-,
apesar de ter contrariado a Standars and Poor's e mantido o rating dos
Estados Unidos, como país. A perspectiva do rating também foi reduzida
de estável para negativa.
Também não agradou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang
Schauble, ter dito que rejeita a ampliação do fundo de resgate da zona
do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês).
(com Agência Estado e Valor Online)
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