26 de outubro de 2011

Pressionado, Orlando Silva deixa o Ministério do Esporte

Pressionado, Orlando Silva deixa o Ministério do Esporte

Após inquérito no Supremo Tribunal Federal e sucessão de novas denúncias, ministro decide entregar o cargo à presidenta Dilma

Tales Faria e Clarissa Oliveira, iG São Paulo | 26/10/2011 11:44

O aumento das pressões provocadas pelo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e a sucessão de novas denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte levaram o ministro Orlando Silva a acatar o pedido feito pelo Palácio do Planalto e entregar o cargo. Líderes de partidos da base já haviam sido comunicados ontem sobre a provável demissão, embora não houvesse garantias de que a saída se concretizaria de fato na manhã desta quarta-feira.

A decisão de Orlando Silva de entregar o cargo, antecipada pela coluna Poder Online, está sendo sacramentada em reunião no Palácio do Planalto, entre a presidenta Dilma Rousseff, o ministro, dirigentes do PC do B, e o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Mais cedo, já circulava a informação de que a saída de Orlando Silva era iminente e que Dilma deveria decidir seu destino nas próximas horas, como adiantou a coluna de Guilherme Barros.


Foto: AE
Ministro do Esporte resistiu às pressões na semana passada, mas inquérito no STF dificultou permanência no cargo
O plano, por enquanto, é manter a pasta sob comando do PC do B. A ordem no governo é aguardar até que um novo nome seja definido antes de anunciar formalmente a saída de Orlando Silva da Esplanada dos Ministérios. 
Ainda assim, não está totalmente descartada a possibilidade de o ministério ficar internamente nas mãos do secretário-executivo. Segundo líderes da base, foi colocada na mesa a ideia de deixar a crise esfriar e, dependendo da evolução do quadro, fazer uma substituição definitiva em um cenário de menor tensão política. Hoje, quem ocupa esse posto é Waldemar Manoel Silva de Souza.
Com a saída de Silva, a presidenta Dilma Rousseff perde seu sexto ministro em apenas 11 meses de governo. A "faxina" comandada na Esplanada dos Ministérios já derrubou Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil, Alfredo Nascimento dos Transportes (PR-AM) e Nelson Jobim da Defesa (PMDB-RS). Apenas Jobim não caiu após denúncias de corrupção. Ele se afastou após a repercussão negativa provocada por declarações polêmicas sobre o governo e colegas de ministério.
A demissão do ministro do Esporte também remove mais um integrante do grupo de ministros herdados da administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em geral, Dilma tem escolhido nomes de sua confiança e de perfil mais técnico para substituir os ministros afastados em decorrência de denúncias de corrupção.
*Com colaboração de Nara Alves, iG São Paulo

25 de outubro de 2011

Gaddafi é enterrado em local secreto no deserto líbio

Gaddafi é enterrado em local secreto no deserto líbio

Por Barry Malone
TRÍPOLI (Reuters) - Muammar Gaddafi e seu filho Mo'tassim foram enterrados em um local secreto no deserto nesta terça-feira, cinco dias depois de o líder deposto da Líbia ter sido capturado, morto e colocado em exposição pública.
'Ele (Gaddafi) acabou de ser enterrado agora no deserto ao lado do filho,' disse o comandante do Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdel Majid Mlegta, à Reuters por telefone.
O clérigo de Gaddafi, Khaled Tantoush, que foi capturado com ele, rezou pelos corpos em decomposição antes de eles serem retirados do local onde foram expostos ao público e serem levados por dois homens do CNT para o enterro, afirmou ele.
O CNT causou perplexidade a muitos observadores externos por deixar os corpos de Gaddafi e de Mo'tassim expostos na câmara refrigerada de um mercado de Misrata até que a decomposição obrigasse as autoridades a fecharem as portas ao público na segunda-feira.
Sob pressão dos aliados ocidentais, o CNT prometeu na segunda-feira investigar a forma como Gaddafi e seu filho foram mortos. Gravações feitas com celulares mostram ambos vivos depois de serem capturados, na semana passada.
O ex-líder líbio aparece sendo humilhado e agredido antes de ser baleado, embora funcionários do CNT tenham inicialmente dito que ele foi atingido em um tiroteio.
A saga deixou os aliados ocidentais da liderança interina da Líbia preocupados com as perspectivas para o Estado de direito e um governo estável na era pós-Gaddafi.
'Eu ri quando o vi sendo espancado como merecia. E ri de novo agora que sei que ele está na terra,' disse o estudante Emani Zaid, de 20 anos, de Trípoli. 'Se os homens que o enterraram são de fato líbios livres, eles podem guardar o segredo (sobre o túmulo dele).'
Determinado a evitar que o túmulo de Gaddafi se torne um templo para seus simpatizantes, o CNT quer manter secreta a localização dele, recusando-se a colocá-lo sob custódia da tribo do antigo líder, cujos integrantes moram, em parte, em Sirte.
As orações pelos mortos foram presenciadas por dois primos de Gaddafi: Mansour Dhao Ibrahim, que já foi líder da temida Guarda do Povo, e Ahmed Ibrahim. Ambos foram capturados com ele depois que um ataque aéreo da Otan atingiu um comboio de veículos que tentava sair de Sirte, a cidade natal de Gaddafi.
'As autoridades do CNT receberam o corpo depois que o xeque completou a cerimônia no começo da manhã e estão o levando a algum lugar muito longe no deserto,' afirmou Mlegta.
'JOGUE-O NUM BURACO'
Para o engenheiro Ali Azzarog, de 47 anos, foi bom livrar-se dele.
'Jogue-o em um buraco, no mar, no lixo. Não importa. Ele é mais baixo que um burro ou um cachorro e apenas estrangeiros dizem se importar com a maneira como nós o matamos. E eles estão mentindo,' afirmou ele.
Os líbios rebelaram-se contra o governo de 42 anos de Gaddafi em fevereiro, desafiando uma resposta violenta que foi contida pela força aérea da Otan, sob mandato da Organização das Nações Unidas (ONU), para proteger os civis.
A morte do homem forte de 69 anos colocou fim aos meses de guerra que se seguiram em Sirte e em outros locais mesmo depois de as milícias do CNT terem tomado a capital, Trípoli, em agosto.
O ódio a Gaddafi uniu seus opositores mais diversos, que agora poderão brigar pelo poder durante a planejada transição para a democracia numa nação fraturada, com rivalidades regionais e tribais a superar.
'Líderes de regiões e cidades diferentes querem negociar sobre tudo - cargos no governo, orçamentos para as cidades, a dissolução das milícias,' disse uma autoridade sênior do CNT em Trípoli, embora ele tenha defendido isso como uma expressão saudável de liberdade.
Em alguns momentos, o corpo de Gaddafi pareceu ter se transformado numa moeda macabra de barganha para Misrata, que enfrentou um cerco impiedoso durante a guerra e cujos líderes agora exigem maior poder na nova Líbia.
O temor de que os filhos de Gaddafi pudessem protagonizar uma insurgência ao estilo iraquiano diminuiu após as mortes de Mo'tassim e de seu irmão Khamis, que era comandante militar e morreu antes.
Comandantes armados da antiga fortaleza de Gaddafi de Bani Walid, que caiu este mês, porém, disseram à Reuters que planejam manter a luta.

STJ autoriza casamento civil entre duas mulheres do RS

STJ autoriza casamento civil entre duas mulheres do RS

STJ autoriza casamento civil entre duas mulheres do RS
"Parada gay pede criminalização da homofobia e direitos civis iguais"
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o casamento civil entre duas mulheres gaúchas. O julgamento, iniciado na última quinta-feira, terminou nesta terça-feira, por 4 votos favoráveis e um contrário. As mulheres entraram com o recurso no STJ após o pedido ser negado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS).
Na última quinta-feira, quatro ministros da Quarta Turma votaram a favor do pedido, mas o ministro Marco Buzzi, o último a votar, pediu vistas. Na sessão de hoje, Buzzi acompanhou o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, dando provimento ao recurso.
Já o ministro Raul Araújo, que havia acompanhado o voto do relator, mudou de posição e ficou contra o casamento. Para ele o caso deveria ser discutido no Supremo Tribunal Federal (STF).

Divulgado o gabarito oficial do Enem 2011

Confira as respostas das quatro provas do Exame Nacional do Ensino Médio realizado no fim de semana

iG São Paulo | 25/10/2011 18:23
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nesta terça-feira, dia 25, o gabarito oficial do Exame Nacional do Ensino Médio 2011.
Confira as respostas dos quatro cadernos de provas:

1º dia

AZUL

AMARELO

BRANCO

ROSA

2º dia

AMARELO

CINZA

AZUL

ROSA

Os boletins individuais dos alunos só serão divulgadas em janeiro, quando abre o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), site pelo qual os participantes se candidatam a vagas em instituições de ensino superior públicas.

Com o gabarito, os quase 4 milhões de candidatos que realizaram o exame no fim de semana podem ter apenas uma noção de seu desempenho, porque o Enem utiliza a metodologia de avaliação Teoria de Resposta ao Item (TRI), que não leva em conta apenas do número de acertos e erros do estudante, como nos vestibulares tradicionais, mas do nível de dificuldade de cada item.

Uma questão que teve baixo índice de acertos é considerada “difícil” e, portanto, tem mais peso na pontuação final. Aquelas que têm alto índice de acertos são classificadas como “fáceis” e contam menos pontos na nota final do candidato. Dessa forma, dois participantes que acertaram o mesmo número de itens poderão ter médias finais diferentes, dependendo do nível de dificuldade de cada uma dessas questões.

Na TRI não existe uma pontuação máxima e mínima que o candidato pode atingir – com exceção da redação, que não é corrigida por esse modelo e cuja nota varia de 0 a 1000. A partir das notas obtidas pelos participantes, o Inep constrói uma escala de notas máximas e mínimas que permite ao aluno comparar seu desempenho com o dos demais estudantes. Essas informações também são divulgadas com os boletins individuais.

No ano passado, por exemplo, a nota mínima em matemática foi 313,4 e a máxima 973,2 pontos. Já em Linguagens variou de 254 a 810,1 pontos. Em Ciências Humanas, a maior nota foi 883,7 e a menor, 265,1 pontos. Na prova de Ciências da Natureza os desempenhos variaram entre 297,3 e 844,7 pontos.
Com informações da Agência Brasil.

Cadernos de prova do Enem estão disponíveis

Cadernos de prova do Enem estão disponíveis

Exames dos dois dias estão disponíveis nas quatro cores aplicadas e podem ser baixados

iG São Paulo | 24/10/2011 20:13

Os cadernos das quatro provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicados neste fim de semana foram disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Os testes podem ser baixados por quem não ficou com a própria prova para ajudar a conferir quantas questões acertou e lembrar dos temas.
Clique na cor da prova para baixar cada uma:
Azul 1º dia
Amarela 1º dia
Branca 1º dia
Rosa 1º dia
Azul 2º dia
Amarela 2º dia
Cinza 2º dia
Rosa 2º dia
 
Foto: Julien Pereira/Fotoarena
Só quem ficou até a última meia hora pode levar caderno de provas embora da sala no Enem

O gabarito oficial está previsto para a noite de terça-feira. O iG e o CPV corrigiram toda a prova logo após a saída dos candidatos. Você pode ver as questões corrigidas aqui.
Um em cada quatro dos 5,4 milhões de inscritos no Enem faltou ao exame. As provas foram consideradas fáceis pela maior parte dos candidatos que compareceram e conversaram com a reportagem ao final do teste.
Pelo menos 80 mil vagas em universidades federais serão disponibilizadas pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, que usa exclusivamente o resultado no Enem para selecionar.

17 de outubro de 2011

Orlando Silva não é Pedro Novais e nem o PCdoB é o PMDB: comunistas investigam "armação" contra Orlando Silva, diz presidente

Orlando Silva não é Pedro Novais e nem o PCdoB é o PMDB: comunistas investigam "armação" contra Orlando Silva, diz presidente

Presidente do PCdoB,
Renato Rabelo
por Claudio Leal

O PCdoB vai investigar a origem de uma "grande armação" contra o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., relata o presidente do partido, Renato Rabelo, em entrevista a Terra Magazine. "É uma questão do partido, cabe a ele fazer. Vamos fazer contatos, pesquisa, avaliação. Juridicamente, podemos ver os processos contra ele. Nós temos esses meios", conta Rabelo, que evoca a disputa política no Distrito Federal como uma das motivações da bateria contra os comunistas.

Um esquema de corrupção no ministério do Esporte foi denunciado pela revista "Veja" desta semana. O desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que atende a crianças carentes, teria sido coordenado pelo PCdoB, para robustecer as campanhas eleitorais.

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal, João Dias Ferreira, e um funcionário de sua academia, Célio Soares Pereira, acusam Orlando Silva de ter recebido dinheiro na garagem do ministério. Ferreira responde por fraudes nos convênios de sua ONG com o governo federal, firmados em 2005 e 2006. Houve o pedido de devolução de R$ 3,16 milhões.

Em coletiva à imprensa, na tarde desta segunda-feira (17), Orlando Silva se esquivou das acusações e denunciou uma "trama fascista". "Vou até o último recurso judicial que existe para defender a minha honra e, se possível, para prender esses caluniadores", anunciou.

Renato Rabelo argumenta que João Dias Ferreira nunca foi militante do PCdoB, apenas filiou-se para disputar uma eleição, em 2006. "Foi um filiado muito temporário. Ele era soldado, tinha que se afastar da corporação e se filiar a um partido, para ser candidato (a deputado distrital) (...) Ele se filia por alguns meses, logo depois das eleições se desfilia. Foi uma passagem muito temporária, efêmera. Ele não foi militante do PCdoB", diz o presidente da legenda.
"O nosso estatuto tem um instrumento para não dar margem a esse tipo de interpretação. Ele distingue duas categorias: o filiado e o militante - aliás, é o único partido que faz isso", Renato Rabelo em entrevista a Carlos Leal
Confira a entrevista.

Terra Magazine - Como o senhor avalia as denúncias contra o PCdoB e o ministro Orlando Silva?
Renato Rabelo - Acho que a posição do ministro tem sido sóbria, mostra que não tem vinculação com aquilo que esse soldado depõe contra ele. O problema é o seguinte: numa hora como essa, se você é sujeito a uma denúncia, a uma armação...O PCdoB acha que é uma grande armação contra o ministro e, de tabela, ao PCdoB. A reportagem da Veja é um jornalismo vulgar, com interesse político. Esse grau de denúncia é baseada em uma pessoa que ninguém sabe qual é a trajetória ou quem é... E a trajetória desse soldado é muito obscura.

E por que ele foi filiado ao partido, se é obscura? Qual foi a trajetória dele no PCdoB?
Sim, mas você veja, a denúncia é de 2005, de 2006. Foi um filiado muito temporário. Ele era soldado, tinha que se afastar da corporação e se filiar a um partido, para ser candidato (a deputado distrital). É só isso, no momento da campanha, na eleição de 2006. Ele se filia por alguns meses, logo depois das eleições se desfilia. Foi uma passagem muito temporária, efêmera. Ele não foi militante do PCdoB. O nosso estatuto tem um instrumento para não dar margem a esse tipo de interpretação. Ele distingue duas categorias: o filiado e o militante - aliás, é o único partido que faz isso. Ele foi filiado temporariamente. O militante é o que se organiza no partido e tem uma série de deveres e direitos. O filiado tem menos direitos e menos deveres.

O senhor falou que há uma armação contra o ministro Orlando Silva e o PCdoB. De onde partiria essa armação?
Aliás, é uma boa pergunta. O pior é que a imprensa não procura apurar quem é a pessoa e a qual é a motivação. O PCdoB está fazendo isso. É uma grande armação, uma armação grosseira. O tempo dirá.

Tem a ver com as disputas em torno da Copa do Mundo?
Não, porque o ministro está no centro de muitas contradições. Está em jogo grandes eventos esportivos, mas tem outros aspectos, como as disputas no Distrito Federal.

Envolve opositores do governador Agnelo Queiroz?
Na oposição a Agnelo Queiroz. Ele (João Dias Ferreira) filiou-se através do Agnelo. O Orlando teve uma única vez com ele, não era ministro, esteve a pedido do ministro Agnelo. E mais nada.

De qualquer forma, as denúncias contra o ministério e o PCdoB, no programa Segundo Tempo, não são graves?
Sim, mas o soldado não faz nenhuma acusação contra o Segundo Tempo, o ministério é que acionou, no convênio anterior a 2006. Ele não cumpriu as exigências legais desse convênio. O ministério, através do expediente legal, encaminhou ao TCU pra que ele devolvesse.

Só que a revista Veja afirma que o ofício do ministério foi revisto e ganhou um tom menos acusatório.
Não, não há comprovação disso. O que o ministério explica é que deu direito de dedesa. Essa dívida hoje está em torno de R$ 4 milhões.

O senhor disse que o PCdoB fará uma investigação sobre uma possível armação contra o ministro Orlando Silva. Como será isso?
É uma questão do partido, cabe a ele fazer. Vamos fazer contatos, pesquisa, avaliação. Juridicamente, podemos ver os processos contra ele (o partido). Nós temos esses meios.

Envolverá a esfera parlamentar?
Não, não, é interna, na esfera própria ao partido. O partido tem direito a ver esses inquéritos contra ele, tem direito a examinar.

Pedirá também informações ao TCU, à Procuradoria Geral?
O próprio ministro já pediu que a Polícia Federal e a Procuradoria investigassem a denúncia.

Fonte: Terra Magazine

Ministério do Esporte cobra R$ 3 mi de PM que faz acusação via Veja

Ministério do Esporte cobra R$ 3 mi de PM que faz acusação via Veja

Mesmo preso, Blog de PM João Dias
Ferreira é atualizado. Clique na foto
Policial militar João Dias Ferreira teria desviado dinheiro de dois convênios com ministério do Esporte que atenderiam jovens e crianças.

Pasta aciona TCU e cobra devolução de R$ 3,1 milhões.

Em retaliação, policial, preso e réu em ação do Ministério Público, diz à Veja que esquema no Esporte favorece PCdoB.

Reportagem é farsa e fonte é bandido', diz Orlando Silva

por André Barrocal

O ministério do Esporte está cobrando R$ 3,1 milhões do policial militar João Dias Ferreira, que está preso desde o ano passado por desvio de recursos federais e, neste fim de semana, em reportagem da revista Veja, acusa o ministro Orlando Silva de montar e operar um esquema de corrupção na pasta.

O dinheiro que o ministério tenta reaver foi repassado à Associação João Dias de Kung Fu e à Federação Brasiliense de Kung Fu. As entidades assinaram acordo com o Esporte, em 2005 e 2006, respectivamente, para participar do programa Segundo Tempo. Neste programa, os conveniados são financiados para atender jovens e crianças com atividades esportivas depois das aulas.

Segundo o ministério, porém, não teria havido prestação de serviços pelas entidades. A pasta suspendeu os repasses em junho de 2010 e decidiu fazer uma investigação específica sobre o que aconteceu, chamada de Tomada de Contas Especial.

O processo foi enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU). Neste processo, o Esporte diz que João Dias e as duas entidades precisam devolver R$ 3,1 milhões. A descoberta das irregularidades custou ainda uma ação civil pública contra o policial, ajuizada pelo Ministério Público Federal.

Para Orlando Silva, este são as motivações de João Dias para ter contado à Veja que haveria suposto esquema corrupto no ministério. “A reportagem é uma farsa. A fonte é um bandido, um criminoso”, disse Silva em entrevista neste sábado (15) em Guadalajara, no México, onde, desde o dia anterior, estão sendo realizados os Jogos Panamamericanos.

Na reportagem, João Dias diz que 20% de todos os convênios do Segundo Tempo eram desviados, por determinação de Silva, para abastecer o PCdoB, partido do ministro e do policial. A matéria diz ainda que o próprio Silva receberia na garagem do ministério verba desviada. Quem faz esta denúncia específica é um funcionário de João Dias, Célio Soares Pereira.

Depois da publicação da reportagem neste sábado (15), o ministro do Esporte procurou a presidenta Dilma Rousseff para dizer que as denúncias não passam de “calúnia” feita por “pessoa desqualificada”. Também pediu ao colega da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal apure as denúncias.

Ele disse que também vai entrar com ação penal contra os personagens da reportagem. “Não podemos ser paralisados por alguém que faz um ataque vão e que, infelizmente, consegue espaço para repercutir”, disse Silva.

Fonte: Carta Maior

PCdoB desmente 'militância' de PM e Orlando pede para defender a honra, mídia tenta 'comer' ministro dos Esportes

PCdoB desmente 'militância' de PM e Orlando pede para defender a honra, mídia tenta 'comer' ministro dos Esportes

O ministro do Esporte, Orlando Silva, deve prestar esclarecimentos nesta semana no Congresso Nacional sobre as acusações de irregularidade na pasta feita pelo ex-militante do PCdoB e policial militar João Dias Ferreira.

Orlando Silva: mídia 'frita' para depois tentar 'comer' ministro 
A iniciativa partirá do líder do partido de Orlando na Câmara, Osmar Júnior (PCdoB-PI), que apresenta hoje requerimento com o convite. A data da audiência ainda precisa ser definida. Em entrevista por telefone ao Correio, Orlando Silva disse estar pronto para responder às acusações feitas pelo policial militar.

“Pode ser na segunda, na terça ou na quarta-feira, vai depender da agenda do Congresso. Mas quero fazer a defesa da minha honra”, ressaltou o ministro. Orlando disse que o pedido para prestar esclarecimento público não veio da presidente Dilma.

“Foi iniciativa minha. Mas liguei para a presidente Dilma para dar uma satisfação sobre essa reportagem (da revista Veja) grave. Disse a ela que se tratava de uma farsa e que a fonte é desqualificada, inclusive responde por vários inquéritos”. Segundo ele, hoje pedirá ao Ministério Público para investigar as acusações feitas pelo militar. Além do MP, Orlando ligou para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que a Polícia Federal também investigue o caso.

De acordo com entrevista dada pelo policial militar à revista, Orlando teria recebido recursos desviados do programa Segundo Tempo na garagem do ministério. Ainda, segundo João Dias Ferreira, uma entidade só era contratada para prestar serviço ao programa se destinasse 20% dos valores dos convênios a integrantes do PcdoB, partido do ministro. Orlando também rebateu a acusação de Ferreira de ter enviado o secretario nacional, Ricardo Leiser, para conversar com ele na véspera da divulgação da reportagem.

“Outra mentira, o secretário estava comigo no México”, disse o ministro, que participou no fim de semana da abertura dos Jogos Pan-americanos na cidade de Guadalajara. Em mensagens postadas na manhã de domingo no blog de autoria própria, Ferreira subiu o tom chamando Orlando de “bandido” e afirmou que foi procurado por um emissário do ministro.

“E se tu não deves nada, por que mandou seu secretario nacional Ricardo Leiser tentar me localizar na sexta-feira, quando soube da matéria, o que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles acordos não cumpridos?”, diz trecho da mensagem postada às 7h57. Em uma segunda mensagem, Ferreira faz um alerta ao antigo partido. “Sugestão: era bom o PCdoB Nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente”.

Em nota, o PCdoB nega que Ferreira seja militante do partido e que ele só teve vínculo nos meses do processo eleitoral de 2006, quando teve o nome apresentado na convenção da legenda. Ferreira deve ser convidado a prestar esclarecimentos na Comissão de Ética na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Fonte: Correio Braziliense

Em noite de ouro, sunga aperta Cielo, Fratus vomita e americano 'escapa' de antidoping

Em noite de ouro, sunga aperta Cielo, Fratus vomita e americano 'escapa' de antidoping

por Bob Fernandes

Cinco horas e vinte dois minutos da tarde. Na mão esquerda, garrafa plástica com isotônico. Blusão amarelo, calça azul do agasalho da seleção, Cesar Cielo dobra à direita no corredor dos nadadores no Acuático Scotiabank e segue para a piscina de aquecimento. Alheio a tudo à sua volta, mexe os lábios e balança a cabeça no ritmo do que vem do headfone: Van Halen.

Carlos Martins, encarregado de vigiar o corredor dos atletas, acompanha Cielo com o olhar e balbucia, admirado:
-…campeón olímpico…

Cielo exausto ao sair da piscina com mais um ouro do Pan
Cielo mergulha na rotina que antecede as provas. Carlos Martins tenta cumprir sua missão. Em vão.

Trinta e dois juízes atravessam, de uma ponta à outra, o corredor dos nadadores. Carlos murmura:
- Eles não podem passar por aqui, só pelo outro lado, lá na piscina de aquecimento… eles não podem se misturar com os atletas antes da prova, é a regra…

Cielo entra na piscina de aquecimento. Às cinco e cinquenta e sete da tarde, volta para o corredor e caminha em direção aos vestiários. Já de bermuda azul, agasalho amarelo, pés descalços. E ainda ouvindo Van Halen.

Cielo, ao contrário de muitos dos 69 nadadores (seis reservas) que disputarão provas na noite deste domingo 16 de outubro, carrega sua própria garrafa de isotônico.

Gato escaldado depois da suspeita de doping – ou contaminação? – por furosemida?

Demais nadadores se servem na geladeira. (Ao final das provas, às oito e dez da noite, restam apenas 50 das mil garrafas plásticas de Gatorade, constata a guardiã da geladeira).

O rádio chama Carlos Martins, que dispara corredor afora. Volta cinco minutos depois: “Um jornalista tentou se misturar com atletas e entrar junto com eles, o Acuático é grande, difícil vigiar tudo”, explica o ofegante Carlos.

O Acuático, projeto de Moisés Huerta, apelidado “A joia da Coroa” pelos mexicanos, custou US$ 32.1 milhões. Com teto em forma de onda, 5.093 lugares, é apontado pela Federação Internacional de Natação como o segundo melhor parque aquático do mundo; à frente, só o deslumbrante “Cubo d’água”, em Pequim.

Cielo está no vestiário. Guarda o headfone. Conversa com seu oesteopata, Jean. Faz uma oração.

No rádio, chamado para Carlos Martins. Que novamente arranca corredor afora. Volta dez minutos depois:
- Desta vez eram dois… vieram entre ônibus de delegações do México, Canadá, Brasil e Estados Unidos… tentavam entrar misturados com atletas…

Pergunta:
- Eram de qual país, Carlos?
- Não deu pra ver, estavam com as credenciais viradas e saíram rápido…se pegamos, na primeira vez advertimos, mas na segunda chamamos a Policia Federal…

Cesar de Rose (Informática da PUC do Rio Grande do Sul), se aproxima do portão de acesso à piscina. Filho de Eduardo de Rose, o mais destacado brasileiro no sistema de antidopagem, Cesar tem duas missões no Pan.

A primeira missão, ligada a um projeto da PUC para o Brasil e, espera ele, para a WADA (Agência Mundial Antidoping): informatizar todo o processo, usar tablets e eliminar os papéis, formulários e afins na antidopagem.

A segunda missão, Cesar de Rose cumpre como DCO (Fiscal Controlador de Doping). Na mesma função, Luciano Castro (Educação Física, PUC–RS). É preciso rapidez na função de DCO, como se verá.

Cesar de Rose vigia seu "alvo" para o antidoping (Foto: Bob Fernandes)
Meia hora antes das provas são sorteados não atletas, mas posições nas raias. O DCO, ao final da prova, deve capturar para o exame antidoping o atleta que tenha nadado na raia sorteada.

Nesta noite, Cesar de Rose está de olho nos 100 metros de peito, masculino.

Fabíola Molina fica a um décimo de medalha nos 100 metros, costas. Reclama:
- Tinha muita parafina na borda…

A mexicana Maria Fernanda González ganha o bronze. Chega à zona mista, de entrevistas, e recebe abraços e beijos, é saudada por Giselle Zarur Maccis, repórter da Televisa:
- Amiga! Que lindo!

Beijos, abraços, fotos… e a entrevista.
Cielo na borda da piscina. Touca dourada, sunga azul claro, óculos de tiras brancas, enverga o 1.96m e salta para os 100 metros. Vira os 50 metros na frente do cubano Hanser Garcia e de Shaune Fraser, das Ilhas Cayman.

Brasileiros sacodem bandeiras e urram nas arquibancadas do Acuático. Na lateral da piscina, próximo à zona mista, cubanos enlouquecem; Hanser Garcia, que persegue Cielo, há dois anos era jogador de polo aquático.

Cesar Cielo sente a vitória; sabe do revezamento 4×100 logo depois, e desacelera. Chega ao ouro e quebra seu próprio recorde panamericano com 47s84. Hanser Garcia faz 48s34, os cubanos pulam, gritam, se abraçam.

Cielo ergue o corpo da água, berra:
- Eeeeiiii, Ouuuhhh…

O campeão olímpico e panamericano comemora. Bate as mãos na água, grita, bate as mãos abertas no tórax. Quando deixa a piscina, óculos levantados, desaba logo à beira, exausto.

A caminho da zona de entrevistas, Cielo olha para cima, para a sala de convidados especiais, torna a bater no tórax, nele deixa a marca das mãos espalmadas. Se curva, mãos agora sobre os joelhos, busca ar, descansar o corpo, e murmura:
-…tô morto… tô morto…morto…

Enquanto dá curtas entrevistas para TV, internet, rádios e meios impressos, Cielo respira fundo. Resfolegando, já próximo ao corredor, o campeão olímpico se despede apressadamente dizendo:
- Vou tomar um pouco de ar e uma água, a boca tá colando, não consigo nem falar…

Há outro motivo, mais premente, mas esse não pode ser declarado diante das câmeras e microfones. A sunga nova está, digamos, apertando onde apertos incomodam progressivamente.

Vestiário.
Troca da sunga por uma bermuda. Água, isotônico, conversa com o osteopata Jean, sessão com o massagista Wagner à espera do 4×100.

Peito, homens, 100m. Dobradinha, ouro e prata para Felipe França e Felipe Lima, com 1min00s34 e 1min00s99. Bronze para o norte-americano Marcus James Titus.

Cesar de Rose, Fiscal Controlador de Doping (DCO) nesta prova, descobre tardiamente que na raia sorteada estava Titus. Ele era seu alvo.

O atleta dos EUA passa rápido, escapa a de Rose, que é cobrado por outra fiscal. Os scouts, auxiliares dos DCOs, vão à luta.

O antidoping tem que ser feito em até uma hora depois das provas. Se o atleta for dar entrevistas o DCO, ou os scouts (de jaleco vermelho), têm que marcá-lo de perto, discretamente para evitar constrangimentos.

Nesta noite de domingo, querendo ou sem querer, o norte-americano sorteado para o antidoping vazou, rápido. E está nas águas da piscina de aquecimento. Impávidos, aguardando-o à borda, dois scouts.

Desfecho.
Revezamento 4×100. Bruno Fratus, Nicholas Santos, Cielo e Nicolas Oliveira. Bruno entrega meio segundo à frente dos norte-americanos. Nicholas Santos amplia. Cielo salta com 1s72 de dianteira. Nicolas Oliveira fecha a prova. Ouro com 3min14s65. Brasil tetracampeão panamericano. E outro recorde batido.

Bruno Fratus desaba à beira da piscina, uma semana depois de uma amidalite, três dias de febre e antibióticos. Cielo se enrola na bandeira. Os três cercam o exausto e cabisbaixo Bruno e o festejam. Todos se abraçam.

Entrevistas à saída da piscina:
Cielo diz mais ou menos o que na madrugada seria postado em seu twitter:
- Que revezamento…é muito bom nadar com amigos, é empolgante…
- Faltam os 50 metros. Vou olhar a borda do outro lado e pensar: ‘Só preciso chegar lá, e acabou’.

Vestiário.
Bruno vomita, e diz: “Vomitei…vomitei feito um porco”.

Fonte: Terra Magazine

24 de setembro de 2011

Casal é acusado de aplicar golpe em formandos do Piauí, Ceará e Maranhão

Casal é acusado de aplicar golpe em formandos do Piauí, Ceará e Maranhão

"Estamos rindo para não chorar". Foi o comentário de uma das vítimas do golpe da Styllo's Eventos, empresa que organizava festas de formatura e que deixou de existir mesmo tendo centenas de contratos na mão, deixando formandos em todo o Piauí, além do Ceará e do Maranhão, a ver navios.

Até no discurso de Dilma Roussef na ONU Keila
teria aparecido: "Só pra quem pode", diz a página
O casal dono da Styllo's, empresários Keila Moreno e Fabiano Nunes é acusado de ter aplicado o golpe e teriam viajado para a Europa com cerca de R$ 5 milhões, que seria o dinheiro arrecadado com o golpe. O assunto, que completa uma semana sem saber o paradeiro deles, virou realmente piada, depois dos vários 'sonhos' de formatura que se transformaram em pesadelo.

Um site foi criado para ironizar o casal, ou talvez a situação. No endereço: styllosnomundo.tumblr.com os autores seriam os próprios Keila e Fabiano. Eles, que quando estavam no Piauí se passavam por pessoas bem sucedidas, viviam em festas da alta sociedade, diriam, logo no início do site:

"Demos calote no Piauí, agora viajamos por aí". Seria uma ironia para dizer que o casal está viajando pelo mundo com o dinheiro do golpe aplicado. O caso deles continua sob investigação do 12º DP e a Polícia pode declará-los como procurados até mesmo pela Interpol.

Fonte: 180º Graus

Satélite dos EUA, com 6t, caiu sobre o Pacífico

Satélite dos EUA, com 6t, caiu sobre o Pacífico

O satélite norte-americano de 6,3 toneladas que se esperava caísse sobre a Terra sexta-feira ou sábado caiu por volta das 5 da madrugada, hora de Portugal continetal, sobre o Pacífico, anunciou a Nasa.

Através da rede social Twitter, a Nasa informou que o satélite entrou na atmosfera sobre o oceano Pacífico.

Antes, a Nasa tinha indicado que o satélite caiu entre as 23:23 de sexta-feira e as 1.09 de sábado, hora de Washington (4.23 e 6.09 de sábado em Portugal continental), quando sobrevoava uma parte do Canadá e de África, assim com grande parte dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

O Satélite de Investigação de Alta Atmosfera foi lançado em 1991 para medir os efeitos da poluição na atmosfera e a evolução das alterações climáticas. O UARS deixou de funcionar em 2005.

Fonte: Jornal de Notícias - Portugal

8 de setembro de 2011

Reuniões de garimpeiros em Serra Pelada exigem presença da PM


Reuniões de garimpeiros em Serra Pelada exigem presença da PM

Líder da cooperativa de garimpeiros anda com segurança particular.
Ex-presidente da cooperativa foi assassinado a tiros em 2008.

Iara Lemos Do G1, em Serra Pelada

















Policial armado acompanha reunião da Cooperativa
dos Garimpeiros de Serra Pelada (Foto: Vianey
Bentes/TV Globo)

Desde que assumiu a presidência da Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), Gessé Simão teve de mudar a rotina. O ex-garimpeiro, que chegou a Serra Pelada no começo dos anos 1980, não anda mais sem a companhia de um segurança particular.
As reuniões comandadas por Simão na localidade de Serra Pelada são acompanhadas por policiais militares de Curionópolis.
Em 17 e 18 de agosto, o G1 esteve em Serra Pelada e mostra em uma série de reportagens o projeto e a estrutura da nova mina, o cotidiano da localidade e a esperança dos que ainda não desistiram do sonho de encontrar ouro.
As medidas de segurança, segundo ele, são necessárias. O antecessor, Josimar Barbosa, foi assassinado com 13 tiros em maio de 2008, pouco antes de ser firmado o acordo entre a cooperativa e a empresa canadense Colossus, que deverá permitir a a abertura da nova mina de Serra Pelada.
Foi já sob a gestão de Gessé Simão que a Colossus garantiu um aditivo que dá a ela 75% dos lucros da exploração. Desde então, ele vive sob proteção.

“Somos instrumentos de uma sociedade que passou por momentos difíceis. Não foi fácil [...] Aqui morreu companheiro meu em emboscada. Nossa sede foi quebrada por vândalos que não queriam que a parceria com a empresa saísse. O pior já passou, e tudo que conquistamos foi no peito e na raça. Mas é preciso que a Justiça tenha mais atenção com a gente. Sempre houve ameaças para mim e minha família, mas a gente procura levar na paz. Eu tenho meus companheiros que não me abandonam. Eu nunca ando sozinho”, conta Simão.
O principal motivo de divergência entre os garimpeiros de Serra Pelada é a divisão dos valores a serem arrecadados com a venda do minério.
No início das negociações, em 2008, ficou acertado que 49% dos recursos obtidos com a venda dos minerais seriam destinados à cooperativa dos garimpeiros e 51% ficariam com a Colossus.
No contrato final, contudo, os garimpeiros ficaram com 25% do valor, que precisa ser dividido em partes iguais entre todos os 37 mil associados. Do total de associados, pelo menos 2,5 mil são moradores da região de Serra Pelada. Os demais, de outras cidades e estados, que estiveram em Serra Pelada no começo do garimpo, nos anos 1980.
Segundo a assessoria de imprensa da Coomigasp, a redução de 49% para 25%  ocorreu porque havia uma cláusula contratual que determinava que “a empresa parceira iria investir sozinha até R$ 18 milhões em pesquisas. A partir daí, o que fosse investido a mais seria dividido entre as partes, conforme as suas participações. Segundo eles, como a cooperativa não conseguiu fazer os aportes de contrapartida, o valor foi descontado dos 49% da Coomigasp.
De acordo com a empresa, como o total dos descontos poderia reduzir a participação da cooperativa a um percentual inferior a 10%, houve uma negociação, com a participação do Ministério das Minas e Energia, que resultou em um aditivo ao contrato definindo uma parcela mínima de 25% para a Coomigasp.
Assim, a empresa canadense fica com a maior parte dos recursos obtidos com a venda do material (75%). O contrato também prevê o pagamento de prêmios para a cooperativa, de acordo com a quantidade do material extraído.
Dos três minérios que têm extração prevista - ouro, paládio e platina -, o ouro é o mineral mais valorizado no mercado. A unidade internacional de medida, a onça troy, equivale a 31,10 gramas de ouro. Para cada ano de exploração da nova mina de Serra Pelada, a Colossus espera extrair até três toneladas de ouro, o equivalente a R$ 285 milhões ao ano.





















Gessé Simão, presidente da Cooperativa dos
Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp)
(Foto: Vianey Bentes/TV Globo)
Pelo estatuto da cooperativa, desde 2005, nenhum novo integrante pode ser cadastrado. Com isso, somente quem já é sócio da Coomigasp receberá recursos provenientes da parceria com a empresa.
“Foi um cuidado que o governo teve de exigir que a cooperativa sempre receba um valor fixo. O ouro tem um problema, que é um minério em forma de moeda. Tratando-se de uma região como Serra Pelada, em que o clima é tenso, foi a forma que o governo teve de intervir. Eles não vão ser mais garimpeiros, vão ser sócios de um empreendimento”, diz o secretário de Geologia, Mineração e Transformação do Ministério de Minas e Energia, Claudio Scliar.
Enquanto a exploração da mina não começa e o dinheiro não chega aos garimpeiros, José Rogério Santa Rosa, 49 anos, paga R$ 5 de mensalidade à Coomigasp. Sem dinheiro nem minério para ser explorado, ele deixou Serra Pelada e sobrevive vendendo cocadas na beira da rodovia PA-275.
Santa Rosa saiu de Marabá (PA) para a localidade em 1980. Ele espera que a nova mina possa trazer melhorias e os recursos tão sonhados da mineração.
“Se o contrato for honesto, é claro que a cooperativa vai ser beneficiada. E eu espero ter a minha parte nisso tudo”, disse o garimpeiro.

7 de setembro de 2011

Policiamento está reforçado no Complexo do Alemão

Policiamento está reforçado no Complexo do Alemão

Na noite de terça-feira (6), houve confronto entre traficantes e agentes da Força de Pacificação dez meses após a ocupação militar

iG Rio de Janeiro | 07/09/2011


Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Após noite de confronto, policiamento foi reforçado no Complexo do Alemão nesta quarta-feira (7)
O policiamento está reforçado nesta quarta-feira (7) no Complexo do Alemão e seu entorno após o confronto entre traficantes e militares da Força de Pacificação na noite de terça-feira (6). Dez meses após a ocupação da comunidade, um intenso tiroteio, inclusive com balas traçantes, assustou moradores da região e deixou morta uma jovem de 15 anos.
De acordo com a Polícia Militar, 50 homens dos batalhões da Maré e de Olaria ocupam por tempo indeterminado os morros da Baiana e do Adeus. Um blindado foi estacionado ao lado da estação Itararé do Teleférico do Complexo do Alemão. Essas determinações foram dadas pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.
Os morros da Baiana e do Adeus ficam em frente ao Complexo do Alemão e não estão ocupados pela Força de Pacificação do Exército. Como eles ficam em uma posição geográfica que facilita a visão de cima para baixo, traficantes lá localizados efetuaram disparos contra os militares e PMs.


Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo 
Militares da Força de Pacificação do Exército reagiram aos disparos feitos por traficantes

Dois artefatos de fabricação caseira também foram arremessados contra viaturas do Exército, deixando uma pessoa ferida. Por motivos de segurança, a Estrada do Itararé, principal acesso ao Complexo do Alemão, chegou a ser interditada ao tráfego durante o conflito.
Segundo a Força de Pacificação do Exército, dentro do Complexo do Alemão o policiamento está reforçado com o apoio de 100 fuzileiros navais. Doze blindados contribuem para o patrulhamento do local. Seis deles participariam do desfile de 7 de setembro no centro do Rio, mas permaneceram na comunidade para aumentar a segurança.
Clima tenso
A Secretaria de Estado de Segurança informou que os disparos feitos na terça-feira (6) teriam sido uma represália ao fechamento de uma revenda clandestina de botijões de gás pertencente ao irmão do traficante Marcinho VP.
Os criminosos também estariam inconformados com a informação de que o Exército vai permanecer no Complexo do Alemão até junho de 2012. Inicialmente, os militares ficariam somente até outubro deste ano.
O conflito na noite de terça-feira foi o terceiro tumulto registrado no Complexo do Alemão, desde o último domingo (4). Nesse dia, uma confusão entre a tropa e moradores terminou com três pessoas detidas e pelo menos outras três feridas.
No dia seguinte (5), moradores fizeram um protesto. Madeiras em chamas foram colocadas na Avenida Itaóca, impedindo o tráfego de veículos por cerca de 40 minutos. Horas depois, cerca de 30 mototaxistas realizaram outro manifesto na região. Eles reclamavam do rigor na cobrança de documentação e realizaram manobras na pista.
Avaliação
Na terça-feira (6), o comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Robson Rodrigues, afirmou que o programa de pacificação da Polícia Militar do Rio vai passar por uma avaliação geral. Segundo ele, o procedimento já estava previsto antes da ocorrência no Complexo do Alemão.
O governador Sérgio Cabral elogiou o trabalho da Força de Pacificação do Exército, mas reconheceu que há problemas e "resquícios" de um tempo em que o aparato policial era feito com violência.
"É um processo de educação recíproca entre forças de segurança e comunidade. Estamos dispostos a aprender e os moradores também. Há tanto na comunidade quanto nas forças resquício de aparato violento e da cultura do poder paralelo. São 30, 40 anos em que a polícia só entrava para atirar e ia embora, e a comunidade vivia refém do bandido, seja miliciano ou traficante", disse Cabral.


Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo
Balas traçantes assustaram moradores do Complexo do Alemão na noite de terça-feira (6)

Dilma acompanha desfile de 7 de Setembro em Brasília

Dilma acompanha desfile de 7 de Setembro em Brasília

Primeiro desfile de Independência com mulher à frente da Presidência contou com presença massiva de ministros e populares

iG São Paulo | 07/09/2011
No primeiro desfile de 7 de setembro sob comando da primeira mulher a chegar à Presidência da República, Dilma Rousseff, foram notadas duas diferenças em relação aos últimos anos. A primeira mudança saltava aos olhos: o palanque presidencial reuniu quase todo o ministério do governo Dilma.



Foto: Agência Brasil 
Dilma Rousseff com o neto Gabriel e a filha Paula no desfile de 7 de Setembro em Brasília
A segunda alteração foi a ausência do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), que foi passar o feriado em Natal. O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), também marcou presença.

Os ministros ficaram na cidade para prestigiar o primeiro 7 de setembro da primeira mulher presidente. Ao todo, com meia hora de desfile, estavam no palanque pelo menos 32 ministros - o governo tem hoje 38 autoridades com status ministerial.
No palanque, os ministros das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, e da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, ficaram mais próximos da presidenta por serem os dois ministérios mais antigos.
Calor e emoção
O tempo quente e seco não afastou os brasilienses da Esplanada dos Ministério. Milhares de pessoas acompanharam o desfile, que começou às 9h. Quem chegou cedo conseguiu um lugar nas arquibancadas cobertas. Os que não conseguiram apostaram nas sombrinhas ou disputaram espaços embaixo da árvores. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade do ar na capital pode chegar a 15%, nas horas mais quentes do dia, quando a temperatura deve alcançar os 30 graus Celsius.
No entanto, nem todos queriam ficar na aglomeração para assistir à parada. É o caso da professora aposentada Francisca Lopes de Araújo, 55 anos. A maranhense que mora em Brasília preferiu acompanhar o desfile pelo telão instalado no gramado central da Esplanada. Ela participa das comemorações da Independência todos os anos e ainda se emociona. “Quando somos pequenos, somos obrigados a aprender os hinos. Mas, quando chego aqui, entendo o significado desses hinos e me emociono muito.”
Este ano, o Exército Brasileiro participou do desfile de 7 de Setembro com veículos militares e tropas de diversas organizações militares, entre elas os tradicionais Dragões da Independência; o Batalhão da Guarda Presidencial; e o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, com a apresentação da premiada pirâmide humana.
O militar reformado Pedro Martins, 60 anos, desfilou durante a juventude. Para ele, a parada militar é importante porque resgata o espírito cívico. “Ainda me emociono. Sempre venho com minha esposa; meus filhos não gostam tanto.”
Porém, nem todos foram apenas para acompanhar o desfile militar. O estudante Key Carvalho, 31 anos, foi participar da Marcha Nacional contra a Corrupção. “Já desfilei como militar, mas, hoje, vim com o intuito de participar da marcha. Temos de protestar contra essa corrupção.”
A expectativa é que mais de 20 mil pessoas participem com roupas pretas e faixas pedindo o fim da corrupção no País. O grupo sairá em caminhada do Museu Nacional de Brasília em direção ao Congresso Nacional. Outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, também organizam marchas semelhantes.
Com AE e Agência Brasil

5 de setembro de 2011

Saiba os fatores que ampliaram a destruição do 11 de Setembro em NY

Saiba os fatores que ampliaram a destruição do 11 de Setembro em NY

Erros de inteligência não impediram ataques, cujo poder aumentou por problemas no projeto do WTC e nos procedimentos de resgate

Carolina Cimenti, de Nova York.
Erros do governo e da inteligência americanos não permitiram frustrar os ataques do 11 de Setembro de 2001, que, além das Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC), em Nova York, tiveram como alvo o Pentágono, em Washington,  e um avião que caiu na Pensilvânia depois que os passageiros tentaram retomar seu controle dos sequestradores. (Veja infográfico com cronologia dos ataques)
Em Nova York, os problemas no projeto arquitetônico e de engenharia do WTC e as falhas nos procedimentos das equipes de resgate ampliaram o poder dos atentados. Leia, a seguir, uma lista compilada pela iG de dez problemas relacionados aos fatores que tornaram os atentados em Nova York ainda mais mortais:
1. erros do governo e da inteligência;
2. estrutura do WTC;
3. disposição das escadas de emergência no WTC;
4. travas nos elevadores do WTC;
5. resistência ao fogo do WTC;
6. plano de retirada do WTC;
7. porta da cobertura fechada no WTC;
8. comunicação entre bombeiros e policiais;
9. problemas nas transmissões dos rádios;
10. falta de plano de emergência.


Foto: AFP
Avião do voo 175 da United Airlines se choca contra Torre Sul do World Trade Center durante ataques do 11 de Setembro em Nova York
1. Erros do governo e da inteligência americanos
"No verão de 1989, um grupo de soldados mujahedin (guerreiros islâmicos), que haviam acabado de vencer a guerra contra a União Soviética no Afeganistão (1979-1989), imigrou para a Ásia Central, Oriente Médio e, finalmente, EUA. Esse grupo tomou conta de uma mesquita no Brooklyn, em Nova York, e escolheu o xeque Omar Abdel Rahman, um fundamentalista egípcio, como líder espiritual.
Em novembro de 1990, o grupo realizou seu primeiro ataque em solo americano, matando um rabino radical, Meir Kahane, em plena Manhattan. Um militante foi preso ao tentar fugir do hotel onde o assassinato havia sido cometido. Em sua casa, a polícia encontrou armas, munição e textos em árabe proclamando a “destruição dos edifícios do capitalismo”. Os oficiais também encontraram fotos de pontos famosos de Nova York, como a Estátua da Liberdade e o World Trade Center (WTC).
O homem foi preso, mas logo considerado um lunático. Os oficiais e policiais deixaram passar evidências de que ele não havia agido sozinho e, na verdade, contava com um grande grupo por trás. A maioria do material em árabe apreendido, na verdade, só foi traduzido vários anos mais tarde.
Os cúmplices do suposto lunático só foram presos três anos mais tarde, depois de levar uma van cheia de explosivos até a garagem do WTC. Ao meio dia da sexta-feira 26 de fevereiro de 1993, uma bomba em uma van deixou seis mortos.”
O trecho acima foi retirado do livro “102 Minutos - A História Inédita da Luta Pela Vida nas Torres Gêmeas”, dos jornalistas Jim Dwyer e Kevin Flynn, e ilustra as falhas na inteligência americana antes do 11 de Setembro. Um ano depois dos ataques de 2001, o Congresso americano, sob pressão do lobby das famílias das vítimas dos ataques, estabeleceu uma independente de investigação por meio da Comissão Nacional 11/9.
O relatório elaborado pela comissão aponta diversas falhas no recolhimento de informação de inteligência e coordenação dos dados obtidos em relação às fronteiras, segurança aérea e reação a emergências. Enormes problemas de comunicação entre a CIA e o FBI em relação a investigações também foram apontados como uma falha.
No documento, a comissão revela que os ataques não foram exatamente surpreendentes para a inteligência americana. Os atentados foram somente o resultado final, e o mais mortal, de uma série de ações iniciadas anos antes, com até alguns agentes os tendo previsto. A comissão descobriu que relatórios sobre as ameaças de um ataque iminente eram claros, pediam urgência e foram apresentados com mais persistência do que o governo americano queria reconhecer.

Alguns desses relatórios, por exemplo, enfatizavam totalmente o papel da Al-Qaeda e o uso que rede terrorista  pretendia fazer de aviões comerciais como armas. A organização dos atentados foi coordenada dentro dos EUA, durante dois anos, e ninguém, nem a polícia nem o governo, os deteve.
De acordo com a Comissão 11/9, o governo Bush recebeu um documento sobre os ataques um mês antes deles, em 6 de agosto de 2001, chamado "Bin Laden Determinado a Atacar em Solo Americano".
Além do WTC, os terroristas também conseguiram jogar um avião contra o Pentágono e sequestrar uma aeronave que caiu na Pensilvânia depois que os passageiros tentaram tomar seu controle. (Veja infográfico com cronologia dos ataques)
2. Estrutura do World Trade Center
Dois fatos permitiram que as torres do WTC, que foram finalizadas em 1973 após quase sete anos de construção, se tornassem dois dos prédios menos seguros do mundo no caso de um incêndio: primeiramente, elas eram propriedade da Autoridade Portuária de Nova York e New Jersey, ou seja, órgão público pertencente a dois Estados que era praticamente acima da lei em relação às normas de segurança. Em segundo, as torres foram construídas seguindo o código de construção de 1968 de Nova York, um dos menos restritos e mais influenciados pela indústria imobiliária.
De acordo com um artigo do jornal New York Times, o código de construção de 1938, anterior ao de 1968, “exigia materiais específicos, como tijolos e concreto, na construção de um prédio alto, para proteger em caso de um incêndio". Além disso, o código de 1938 determinava que as colunas de um prédio tinham de suportar o fogo por pelo menos quatro horas. O código de 1968 reduziu esse número para três, sem especificar qual material teria de ser usado nos prédios.
A flexibilidade criada por ele permitiu à Autoridade Portuária reduzir enormemente o uso de concreto na construção das torres. Segundo relatório do ex-chefe dos bombeiros de Nova York Vincent Dunn, especialista em incêndios em prédios altos, com mais de 43 anos de experiência na sua área, diferentemente da construção clássica de edifícios altos, os pilares fundamentais das Torres Gêmeas estavam concentrados no centro do edifício, juntamente com os elevadores. Além disso, a estrutura era feita de 60% aço e 40% concreto, quando o modelo clássico estipula exatamente o contrário.
Esse tipo de estrutura inovadora realmente absorveu o impacto imeadiato dos aviões, conforme haviam atestado os engenheiros que as construíram. Elas não desabaram imediatamente. Sua estrutura revolucionária, porém, respondeu muito mal aos minutos que se seguiram sob incêndio e calor extremo. “Quanto mais concreto, menos o fogo se alastra”, disse Dunn ao iG.
Cada andar das torres do WTC era praticamente uma área aberta, como passaram a ser os escritórios modernos, sem paredes do chão até o teto. “Esse projeto permitiu que o fogo se espalhasse muito mais rapidamente em cada andar e, disseminando-se pelas saídas de ar do ar-condicionado central, por todos os andares do prédio”, relatou o ex-chefe dos bombeiros.
Como cada andar suportava o peso apenas do andar imediatamente acima, assim que os andares mais altos começaram a desmoronar pela destruição causada pelo fogo, todos os andares foram pressionados consecutivamente. Isso ajuda a explicar por que os prédios desabaram completamente: assim que os andares superiores começaram a desabar, a pressão sobre os andares mais baixos era superior ao que eles podiam aguentar.
3. Disposição das escadas de emergência das torres
Até 1968, todos os prédios em Nova York com mais de seis andares tinham de ter uma saída de emergência adjacente ao edifício, fora da estrutura, e com paredes grossas de concreto para permitir uma retirada rápida e evitar que pegassem fogo. Se o WTC tivesse seguido as normas anteriores ao código de 1968, as torres teriam de ter pelo menos quatro escadas de emergência cada uma, sendo uma delas fora da estrutura principal.
Mas com o novo código de normas aprovado, os proprietários de imóveis podiam reservar mais espaço para salas e conjuntos, e menos para áreas de emergência: cada torre tinha apenas três escadas de emergência, e todas concentradas no centro do edifício. Com o ataque dos aviões, as três escadas de emergência da Torre Norte e duas na Torre Sul foram destruídas e bloqueadas em pelo menos uma parte. Apenas uma escada, na Torre Sul, continuou praticamente intacta depois dos ataques, possibilitando o tráfego as pessoas do topo à base do edifício de 110 andares.
Além disso, duas das três escadas de emergência de cada torre não levavam as pessoas diretamente até a rua, mas até o mezanino (primeiro andar), onde ainda era necessário descer uma escada rolante estreita para chegar às portas da rua. Esse foi um problema grave no momento da retirada no 11 de Setembro, porque uma longa fila se formou no mezanino, e muitas pessoas, impressionadas com o que viam lá fora, paravam e não conseguiam avançar para sair do prédio, impedindo que outros saíssem.
A cidade de Nova York havia mudado uma das regras sobre segurança em prédios altos em 1984, exigindo que as diversas saídas de emergências fossem distantes umas das outras, porém a lei não era retroativa, então o WTC não precisou se adequar.
4. Travas nos elevadores
Dezenas, se não centenas ficaram presos em elevadores nos ataques do 11 de Setembro. Aqueles que estavam presos nos elevadores parados no térreo, e conseguiram ser ouvidas por bombeiros, foram salvos. Outros não conseguiram forçar as portas externas dos elevadores que, por um dispositivo de segurança, ficaram travadas.
De acordo com o livro “102 Minutos", os bombeiros tiveram um trabalho estafante para salvar algumas das pessoas presas, pois tinham de forçar a porta de segurança de cada um dos 99 elevadores de cada torre a cada cinco andares para tentar descobrir onde exatamente estavam parados. Com a escuridão completa na coluna dos elevadores, não conseguiam ver mais do que quatro ou cinco andares.
Um trabalho demorado e pesado, que resultou no não salvamento de algumas vítimas. O código de construção exige aberturas nas paredes das colunas dos elevadores a cada três andares para evitar esse tipo de contratempo, mas o WTC não respeitava essa regra.
5. Resistência ao fogo
A resistência ao fogo das estruturas dos edifícios nunca havia sido posta à prova. “Um dos maiores segredos das torres era que a sua estrutura de aço nunca havia sido testada para saber como reagiria a um incêndio, e um dos maiores segredos do corpo de bombeiros é que um incêndio em um prédio alto é quase impossível de ser apagado pela corporação: o fogo tem de ser extinto pelo sistema automático do próprio edifício”, explicou Dunn, o ex-chefe dos bombeiros de Nova York, ao iG.

Foto: AFP
Torre do Sul do World Trade Center entra em colapso no 11 de Setembro de 2001 em Nova York
O sistema anti-incêndio do WTC (os sprinklers que todo o grande edifício teria de ter) estava velho e precisava de reforma. Depois do ataque de 1993, a Autoridade Portuária começou o trabalho de revisão e troca das peças do sistema, mas, até a manhã do 11 de Setembro, havia completado esse trabalho em apenas 30 dos 220 que os dois prédios totalizavam.
De acordo com as normas de construção de Nova York, a estrutura de aço de um espigão com 60 andares ou mais deve ser capaz de resistir ao fogo sem se deformar por pelo menos duas horas. Os andares em si, por pelo menos três horas. Para respeitar essas regras, os materiais de construção devem ser previamente testados.
As torres nunca tiveram seus materiais testados suficientemente, e, de fato, suas estruturas não resistiram duas horas. A Torre Norte, a primeira a ser atingida às 8h46 daquela terça-feira, entrou em colapso depois de 1h42. A Torre Sul, atingida às 9h03, desmorou passados apenas 56 minutos, às 9h59.
“As razões pelas quais esses testes nunca foram feitos não podem ser descobertas agora, porque os responsáveis por essa decisão morreram anos antes dos ataques. Mas sabe-se que resultados negativos para os testes e as modificações necessárias teriam aumento tanto os custos que as torres possivelmente teriam pouco mais da metade de sua altura. Poucas pessoas poderiam imaginar que o sistema anti-incêndio de dois dos mais altos edifícios do mundo nunca haviam sido efetivamente testados”, afirmam Jim Dwyer e Kevin Flynn no livro “102 Minutos".
6. Retirada completa do WTC
Como as torres tinham um sistema anti-incêndio em todos os andares, não foram planejadas para uma situação em que fosse necessário esvaziar os edifícios completamente e ao mesmo tempo. Como, teoricamente, seus materiais de construção eram resistentes ao fogo e o sistema anti-incêndio apagaria os focos em um andar antes que se espalhassem para outro, a expectativa era de que apenas alguns andares teriam de ser esvaziados em uma situação de incêndio.
A necessidade de uma retirada completa pelas escadas em prédios altos parecia tão remota que, poucos meses antes do 11 de Setembro, dois grupos muito influentes na arquitetura de Nova York, a Associação Nacional de Códigos Oficiais para Edificações e o Grupo de Seguradoras Anti-Incêndio, sugeriram que se começassem a construir escadas de seguranças mais estreitas. Afinal, menos escadas significam mais espaço comercial nos edifícios. A proposta foi completamente abandonada depois dos ataques.
A única vez, antes do 11 de Setembro, que as Torres Gêmeas foram esvaziadas foi depois do atentado de 1993. E, para milhares que participaram daquela situação, a queda da eletricidade depois que a bomba explodiu significou uma retirada lenta e difícil, em escadas de emergências completamente escuras e esfumaçadas por causa dos pneus que queimaram na garagem, e ainda por cima, sem a guia de alto-falantes. Naquele dia, foram necessárias dez horas para esvaziar os dois edifícios completamente.
7. Porta da cobertura fechada
Durante os ataques, as portas que davam acesso ao topo das torres estavam trancadas. Sem opção de fuga por baixo, acredita-se que dezenas acima dos andares atingidos pelos aviões fizeram o esforço de subir até 30 andares a pé em escadas de emergências esfumaçadas somente para ter suas expectativas frustradas.

Foto: AFP
Bombeiros observam destroços de uma das torres do World Trade Center, em Nova York, depois de seu colapso nos ataques do 11 de Setembro de 2001
Muitos relataram a situação a parentes, após se verem forçados a fazer o caminho de volta. “Os planos de emergências da Autoridade Portuária não continham uma página sequer para resgate na cobertura e (...) nunca informou explicitamente às pessoas que trabalhavam nas torres que o local não era uma opção válida em caso de emergência”, segundo o livro “102 Minutos”.
A Autoridade Portuária mantinha as portas fechadas desde 1974, quando o francês Philippe Petit conseguiu entrar na Torre Sul com a sua equipe sem ser notado, dirigir-se até o teto, estender uma corda de aço até a Torre Norte e caminhar sobre ela várias vezes até ser preso pela polícia de Nova York.
Depois do 11 de Setembro, descobriu-se que os prédios desrespeitavam completamente as regras. As portas poderiam ficar trancadas, mas teriam de ser destravadas por um sistema automático no caso de qualquer emergência ou falta de luz.
Durante o atentado de 1993, no subsolo da Torre Sul, os resgates pelo teto foram os mais noticiados, disseminando a imagem de que era uma das melhores soluções para quem estivesse mais perto do topo de um espigão.
No 11 de Setembro, porém, o teto não seria de qualquer foram uma opção de salvamento. Os helicópteros da polícia não conseguiram pousar porque a coluna de fumaça era muito densa e quente, representando um risco.
8. Comunicação entre bombeiros e policiais
Bombeiros e policiais em Nova York nunca trabalharam bem juntos, segundo o livro "102 Minutos". Seus autores, os jornalistas Jim Dwyer e Kevin Flynn, defendem que sempre houve uma batalha para determinar quem dava as ordens no caso de uma emergência, com nenhum dos lados aceitando ceder. Essa briga de egos explica algumas das falhas que as duas equipes cometeram durante o processo de resgate.
Primeiramente, os bombeiros e os policiais usavam frequências diferentes nos rádios, o que impossibilitou sua comunicação. Isso impediu aos bombeiros na entrada das torres, que tentavam descobrir em que andar ocorriam os incêndios, ouvir as informações enviadas pelos helicópteros da polícia sobre quais eram os focos mais críticos e os andares exatamente atingidos.
Nos helicópteros, os policiais conseguiram mais informações do que os bombeiros dentro dos edifícios. Ao notar enormes rachaduras e um andar pressionando o outro no alto da Torre Sul, souberam com antecedência que ela desabaria. Os bombeiros só se deram conta disso quando ela caiu.
Atualmente, os departamentos dos bombeiros e o da polícia recebem um treinamento mais integrado. Além disso, a prefeitura de Nova York determinou que, em caso de incêndio, são os bombeiros que dão as ordens, mas, em caso de ataque terrorista, os policiais são os responsáveis.
9. Problemas nas transmissões dos rádios
Além do problema das frequências diferentes entre os rádios das duas corporações, os rádios dos bombeiros não funcionavam bem entre si também. Assim que os oficiais subiam alguns andares, perdiam completamente o contato com os chefes, localizados na entrada das torres.

Foto: AFP
Equipes de resgate limpam destroços das torres destruídas no 11 de Setembro no dia seguinte aos ataques em Nova York
Esse foi um problema muito grave porque, assim que a Torre Sul desabou, os bombeiros chefes, na base da Torre Norte, começaram a avisar pelo rádio que todos deveriam sair do prédio imediatamente. Sem receber nenhuma resposta. Naquele momento, mais de 1 mil bombeiros lutavam para conseguir espaço nas linhas de rádio, que eram cinco, mas encontrando forte interferência e poucas respostas para seus pedidos de atenção.
10. Falta de plano de emergência
Os paramédicos e técnicos que responderam ao chamado urgente de resgate não tinham um plano estruturado: em junho de 2005 o Instituto Nacional de Tecnologias e Padrões publicou um longo documento com o que seria considerada a “autópsia” das Torres Gêmeas e do processo de salvamento naquele dia.
Na maioria das 200 entrevistas computadas, paramédicos e técnicos de emergência falam em caos, dificuldades em encontrar as vítimas, falta de comunicação, de coordenação entre as unidades de socorro e até mesmo um grande número de estacionamentos diferentes para ambulâncias na mesma área, dificultando a centralização dos esforços.